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terça-feira, 16 de setembro de 2014

VIDA QUE SEGUE



Não foi tudo ilusão,
nem foi tudo em vão,
houve uma razão maior,
que cumpriu-se dentro do teu melhor.


Não te tortures,
entre tantos porquês,
assim haveria de ser,
assim o foi.


De ter-te ao seu lado,
o merecimento havia alcançado,
o carma final só não passaria,
irmã tão querida reencontraria.


Hoje tu sofres,
a alma se debate,
nas teias da emoção,
mas encontrarás resposta na razão.


Que te diz,
ter, amparar e perder,
era a minha lição,
reatar antigo laço, minha obrigação.


Mas eu te digo:


De tu mesma a renuncia,
este amor purificou,
aprendeste a amar,
como Jesus ensinou.


Então segue minha irmã,
vá te encontro com a vida,
o teu coração escuta,
ele te levará,
para nova sementeira.



Ditado por João de Albuquerque
psicografado por Luconi
em 11-09-2014


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

BENDITO SEJAM OS ANÔNIMOS





 Não fui perfeita, não fui santa, estive longe de ser aquilo que um dia me propus.
Não alcancei as metas há tanto tempo traçadas.
Deixei-me levar pela inconstância dos sentimentos que povoavam os meus dias.
Acreditei lutar a mais justa das lutas, mas tarde demais percebi que era só ilusão. Os ideais eram belos, mas por detrás dos idealistas existiam interesses bem diversos àqueles ideais.

Eu não percebi, era cega e surda a razão, para os meus ídolos eu sempre tinha uma boa desculpa, até que no final usei o velho chavão os fins justificam os meios, passando por cima de meus verdadeiros valores.

É antes tivesse sido uma anônima, aquelas que eu tanto desprezava por achá-las acomodadas à situação injusta sem nada fazerem. Aquelas tais anônimas, muitas plantavam sementes de amor, cultivavam a paciência e não se afastavam de seus valores, dignificavam seus lares e suas consciências não precisavam arrumar desculpa nenhuma para se calarem, pois estavam em paz.

Elas sofriam toda consequência da sociedade injusta, mas pacienciosas sabiam ser a estaca principal de seus lares. Davam a seus lares o alicerce firme e nem sempre tinham um companheiro que as valorizavam e as acompanhavam nos sentimentos nobres.

Mas, mesmo assim, elas persistiam magoadas, cansadas, injustiçadas, não deixavam transparecer, pois o amor que sentiam e a fé eram bem maiores que qualquer ferida de seus corações. Partiram, fizeram a grande viagem, julgando-se um nada, com chuvas de pétalas de rosas foram recebidas e elas ainda achavam que não mereciam.

Eu? Uma revolucionaria que serviu de instrumento útil na mão de quem soube usar a minha paixão por justiça, paixão cega, acabei ajudando a levar ao poder quem tanto mal ao povo, que eu defendia, fez.

Eu? Descobri tarde demais em vida que havia me enganado e como quem planta colhe conforme plantou, acabei sentindo vergonha de mim mesma, acabei numa vala vítima de quem queria calar a minha boca.

Como estou? Depois de mais de trinta anos, caindo em mim finalmente que os erros eram só meus e de mais ninguém,  me arrependendo deles, acabei concluindo que meu assassinato nada mais fora que consequência dos meus erros e finalmente o ódio passara.

Então irmãos me recolheram, e hoje após dez anos de tratamento, estudos e trabalho junto ao próximo, estou aqui passando este relato.

Bendita sejam as guerreiras anônimas da vida, aquelas que ninguém valoriza, ninguém ouve, aquelas que são o porto seguro de todos que as procuram, bendita sejam.

Hoje trabalho muito para um dia poder retornar e ter a honra de ser uma delas, uma guerreira anônima, apenas o alicerce para aqueles que precisarem.

Passo a vocês este relato, por que nos dias de hoje, mais e mais, assistimos a desvalorização daqueles que, homens ou mulheres, se sacrificam em prol de um bem maior que é o cuidar daqueles que a vida lhes deu sob tutela.


ditado por Zelda
psicografado por Luconi

em 11-09-2014

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

LAR TESOURO INCALCULÁVEL



Nesta terra existem muitos lares, cada qual constituído conforme aqueles que deles fazem parte.
Não é fácil constituir um lar e fazer que ele seja realmente um lar.

Para isso não importa se é próprio, alugado ou cedido, muito menos se é rico ou pobre, se foi construído com paredes de ouro ou se simplesmente de simples tábuas velhas coletadas pelas ruas ou em algum ferro velho, realmente não importa.
Para ser um lar realmente, não basta ter pessoas consanguíneas morando, aliás, se as pessoas que ali moram têm ou não laços de sangue também não importa.

Então o que importa?

Importa que exista o laço de união da mais pura fraternidade, importa que exista realmente o sentimento mais precioso da terra, O AMOR, um amor puro e desinteressado, um amor que crie união, cumplicidade, onde um se importa com o outro, um abre mão de seus pequenos prazeres pelo outro, onde um se alegra todos se alegram espontaneamente sem ciúmes, sem inveja, mas, se um se entristece todos sentem como se fossem consigo mesmo e se entristecem também, procurando ouvir sem julgar, colocando-se no lugar daquele que precisa de ajuda.

Também não passam a mão na cabeça, nas atitudes erradas de um, não, pelo contrário, tentam visualizar a razão do erro e dialogando com carinho e paciência, expõe sinceramente o seu ponto de vista, mas não impõe este ponto de vista. Permite que o outro tire suas próprias conclusões e trace suas metas para não mais acontecer de agir errado.

Em um lar todos os seus componentes têm o livre arbítrio de escolha, desejam a realização e a felicidade um do outro, respeitam um ao outro e por fim não são egoístas, abrem a porta deste lar para o mundo, para o irmão que não tem esta preciosidade.

Este abrir de portas é muito importante, pois é a prova que o amor que transformou a casa em lar, realmente é puro e não é de forma alguma egoísta, o egoísmo, o pensar só em si mesmo, o amar só aqueles que fazem parte do seu lar, são atitudes que demonstram claramente o baixo grau de espiritualidade daqueles que ali vivem, e portanto, este lar, esta união, é frágil e desabará na primeira ventania mais forte

O lar é o local onde cada um retorna após a luta de seu dia a dia, é no aconchego do lar que as energias são refeitas, é ali que os alicerces de cada um são fortificados e é exatamente no lar que estão as nossas provas mais difíceis. 

É ali que aquele que traz dentro de si a personalidade de déspota deve aprender a dominá-la, é no lar que o orgulhoso aprende a pedir desculpas e reconhecer seus erros, que o preguiçoso aprende o salutar exercício de compartilhar as obrigações do dia a dia não sobrecarregando a ninguém, aprende a estender a mão sem querer nada em troca, como também, aprende a esquecer as mágoas e a perdoar as afrontas, como também, é no lar que são reunidos desafetos para que os laços de amor sejam refeitos ou nasçam, por fim é no lar que aprendemos a AMAR da forma que Jesus nos ama.

Não meus amigos, não se entristeçam se não tiveres riqueza material, pois bem triste é aquele que coberto de ouro não encontra uma palavra de apoio e carinho, não conhece a cumplicidade que só os laços de amor trazem, para eles o lar não existe no verdadeiro sentido, mas sim no local que deveriam se refazer das lutas diárias, encontram um ambiente de batalha moral, de disputas materiais, como é miseramente pobre quem só tem uma casa e não um lar.

Quem possui um lar verdadeiro, possui o maior tesouro que pode existir na terra, 
deem valor a ele, olhem para aqueles que convivem com você debaixo do mesmo teto, olhem para dentro de si mesmo e percebam quantas vezes bateste o pé por bobagem e perdeste os melhores momentos de tua vida por puro orgulho, e o pior, com isto causaste a derrapada  daqueles que confiaram em ti e você neles para iniciarem a nova jornada na Terra.


ditado pelo Irmão da Paz
psicografado por Luconi

em 20-08-2014

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O BOM COMBATE É RECOMPENSADO



Lá vinha ele, a aparência tão cansada, os olhos com uma luz tão especial, era a luz da esperança, de uma fé ímpar que era a sua força. Fiquei parado, olhando-o com um sorriso em meus lábios tão espontâneo, que alegria recebê-lo, dar-lhe finalmente um forte abraço e poder ampará-lo neste recente retorno à verdadeira vida.

Ele foi se aproximando, amparado por alguns amigos, que tão bem o conheciam, na minha frente pararam e eu então o saldei.

_Meu grande amigo, que felicidade em receber um irmão vitorioso- falando isso o abracei com todo o carinho que por ele sentia, carinho de um elo fraterno criado em era distante e alicerçado no decurso de nossa luta pela evolução.

Ele recebeu o abraço sem jeito, parecia envergonhado e eu não pude deixar de falar.

_Meu amigo, sei que ainda não se lembra de mim, normal que não te sintas à vontade. Vamos continuar o caminho e logo receberás o socorro necessário para recuperar suas forças e com certeza as muitas dúvidas que tens serão com o tempo esclarecidas.

Fiz menção para continuarmos a caminhada, mas ele continuou parado e me olhando nos olhos disse:

_Por acaso está me confundindo com alguém? Por que devo ter desmaiado e quando acordei já estava sendo levado por dois moços em uma maca, pensei serem enfermeiros, mas ao lado da maca estava meu pai e minha irmã, ora eles já faleceram, então pensei estou sonhando, e se sonho posso então me levantar, pensei e os enfermeiros pararam puseram a maca no chão e meu pai me disse se conseguir levanta e me dá um abraço, fiquei tão feliz que quando dei por mim o abraçava e a minha irmã também. O sonho então continuou e começamos a caminhar, mas de uma forma estranha, eles me envolveram e parece que voei com eles um bom pedaço e de repente vimos o senhor ao longe, então voltamos a caminhar normalmente, nos aproximamos e eles pararam de caminhar e minha irmã me disse, que não é um sonho, que é real e eu ia entender tudo.  

Fiquei parado olhando para ela e lembrei-me do acidente e então minha cabeça voltou a sentir aquela dor aguda e rápida, e meu pai colocou a mão em minha testa e me pareceu que rezava, melhorei e andamos alguns passos e o senhor me abraçou.

Bem, os enfermeiros socorrem a qualquer um, meu pai e minha irmã me abraçariam sempre estivesse eu do jeito que estivesse, mas o senhor está com esta roupa, que é simples ao mesmo tempo em que não é, pois a calça e a camisa de um tecido tão leve e de um azul tão claro que parece que alumia e se percebe que é uma pessoa culta.

_Meu amigo, sou tão culto quanto você, nada tenho a mais.

_Ora, veja minhas mãos calejadas pela lida na roça, as roupas grosseiras, as botas velhas e já furadas, meu nada tenho além do ranchinho que para sobreviver sempre tive que trabalhar lá e nas roças vizinhas, mais nas roças dos outros do que no ranchinho, lá minha mulher Ana que lida, coitada está como eu. Estamos acostumados, o povo da cidade, de nós tem dó, mas não gostam de nos receber, nosso lugar é na roça, lá não precisa falar direito e nem roupa boa, lá o povo é igual a mim e a Ana, e os pássaros e os outros bichos nos faz companhia. Então, senhor, não quero que se engane a meu respeito, sou trabalhador honesto e só, este lugar é muito bonito para mim.

­_Meu amigo, eu o olho e vejo a luz que o envolve, vejo várias coisas: a tua luta limpa, todos os teus sacrifícios para por o pão na mesa de tua prole, o teu respeito e carinho para com tua companheira, a tua paciência com os pequenos e grandes erros de teus filhos, sempre abrindo-lhes os olhos, mostrando o certo e o errado, ensinando a eles o valor do trabalho honesto, a importância de estar em paz com a própria consciência, que não importava a maneira dos outros agirem conosco o que importava era a nossa forma de agir com os outros, que todo ser vivente sempre tem um lado bom, por mais que só o mau teimasse em aparecer, era só procurar e por fim nunca você fechou a sua porta ou negou lugar à sua mesa para quem estivesse com frio ou fome. Cometeste erros como todos os cometem, mas assim que caía em si procurava de uma forma ou outra remediar a situação, não foste santo, mas soubeste semear flores em teu caminho.

_Ora homem, isto tudo que o senhor disse aí, é obrigação de cada um, obrigação de todo filho de Deus, meu pai, que até está aqui, sempre disse isto, ninguém merece recompensa por cumprir com a sua obrigação.

Nestas alturas, não aguentei, comecei a rir, este era o meu amigo, espontâneo, simples e bom, exatamente como era em eras distantes antes de permitir que as ervas daninhas dominassem seu espírito, que lindo tesouro havia acumulado e o melhor de tudo é que não se dava conta disso.

Voltei a abraçá-lo: _Você não imagina o quanto ensina através do exemplo de sua vida. Mas vamos que ali já está o prédio do pronto socorro, você precisa se recuperar.

_Mas e os outros? Estávamos em dez no caminhão.

_O motorista e outros seis companheiros se salvaram, outros dois colegas seus estão sendo socorridos e estão a caminho também do pronto socorro de recuperação, fique tranquilo.

Assim entreguei meu amigo aos cuidados dos irmãos encarregados, sabia que em poucas semanas ele estaria pronto para conversarmos e aos poucos suas lembranças voltariam e novamente traçaríamos metas de trabalho.
Fui caminhando e lembrando as palavras de Jesus:

“Qualquer que a si mesmo se exalta, será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha, será exaltado”. (Lucas 18:14)
“Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas”.( Lucas 18:16)

Este é um conto real, meu amigo já se encontra atualmente em árduo trabalho na crosta terrestre, mas acredito que só o conto dispensa qualquer comentário meu, só para elucidar a luminosidade que ele quando chegou viu em mim é bem menor do que a que ele conseguiu em sua última encarnação terrena, mas ele não a mostra, prefere quase apagá-la, e quando questionado responde:  

“ Temos que usar roupa de lavrador para trabalhar de igual e igual com nossos irmãos, afinal todos somos lavradores, as roças a serem capinadas e adubadas antes da semeadura são incontáveis, deixemos a roupa de festa para o dia que todos os lavradores a usarem".


Este é o meu amigo.




ditado por Áspargos
psicografado por Luconi
14-08-2014